
Hoje, 25 de julho, celebramos o Dia Nacional do Escritor. E se tem uma coisa que mudou drasticamente de uns tempos para cá na vida de quem transforma ideias em palavras, é a chegada da Inteligência Artificial. Se você escreve — seja um livro, contos, ou até mesmo resenhas literárias —, com certeza já se deparou com o famoso ChatGPT ou outros recursos de IA, não é mesmo?
É inegável que esses recursos facilitam a vida, mas aqui no Leitora Compulsiva, a gente sempre valorizou a voz única de cada autor. Por isso, a grande pergunta do momento não é mais se devemos usar a IA, mas sim como usá-la sem perder a nossa criatividade e autenticidade.
Recebi recentemente um material muito bacana da Disal – distribuidora de livros e livraria – abordando exatamente esse tema. Eles trouxeram dados reveladores: cerca de 75% das conversas no ChatGPT estão ligadas à busca por orientações e atividades de escrita. Ou seja, a tecnologia já é uma realidade na nossa rotina criativa. O desafio agora é não deixar que ela engula a nossa voz.
O Segredo: A IA é sua assistente, não escreve por você
“A IA está sendo usada como muleta. As pessoas evitam a dificuldade natural da escrita e partem direto para a ferramenta. O ideal é lembrar de usar primeiro somente o cérebro e, depois, a tecnologia.” — André Hedlund, mestre em psicologia da educação, autor e parceiro da Disal.
Nesse ponto, André Hedlund está certíssimo! Os agentes de Inteligência Artificial foram treinados lendo milhões de textos, o que os torna ótimos para estruturar ideias, mas péssimos para reproduzir a originalidade que só as suas vivências e o seu repertório podem criar. Por mais modernos que sejam os recursos de IA, os textos sempre acabam saindo pasteurizados, sem essência, sem cor…
7 Mandamentos para usar a IA a favor da sua escrita
Para garantir que a sua assinatura continue brilhando nas páginas (físicas ou digitais), o especialista André Hedlund separou algumas dicas de ouro que eu faço questão de compartilhar e assinar embaixo:
- Pense primeiro
Antes de abrir o ChatGPT ou qualquer outra ferramenta, faça o esforço de pensar. “Organize as ideias e escreva uma primeira versão. A melhor regra é: “Think First, ChatGPT Later.””, explica Hedlund. - Use a IA como parceira crítica, não como autora
Depois que o texto existir, peça sugestões de clareza, estrutura, coerência ou revisão. Deixe que a IA questione suas ideias, mas não escreva por você. - Pense primeiro
Antes de abrir o ChatGPT ou qualquer outra ferramenta, faça o esforço de pensar. “Organize as ideias e escreva uma primeira versão. A melhor regra é: “Think First, ChatGPT Later.””, explica Hedlund. - Não delegue o esforço criativo
O processo de escrever exige tempo, reflexão e dificuldade. É justamente esse esforço cognitivo que desenvolve a criatividade e fortalece a voz do escritor. - Questione tudo o que a IA produz
Não aceite as sugestões automaticamente. Reescreva, descarte o que não faz sentido e preserve as expressões que pertencem ao seu estilo. A Inteligência Artificial aprimora o texto, mas o autor deve analisar o conteúdo antes de aceitá-lo ou descartá-lo. Afinal, os dados podem conter erros, como apontam as próprias plataformas. - Preserve sua assinatura
Histórias, experiências, exemplos, metáforas e opiniões pessoais são elementos que nenhum modelo de linguagem consegue reproduzir de forma genuína. São eles que tornam um texto memorável. - Não delegue o esforço criativo
O processo de escrever exige tempo, reflexão e dificuldade. É justamente esse esforço cognitivo que desenvolve a criatividade e fortalece a voz do escritor. - Use a IA para otimizar, não para substituir
A tecnologia é excelente para organizar ideias, resumir informações, revisar textos, encontrar inconsistências e pesquisar referências. Ela funciona melhor quando o trabalho intelectual principal já foi feito por você. - Construa repertório fora da IA
Quanto mais você lê, estuda e escreve, mais rica se torna sua escrita. A IA trabalha com padrões daquilo que já existe; a originalidade nasce da combinação do seu repertório com sua experiência.
Não podemos negar que a Inteligência Artificial veio para ficar, gostando a gente ou não! Então, ao invés de sairmos por aí “caçando as bruxas da IA”, vamos usar a nossa voz para defender o uso consciente das ferramentas. Como leitores, queremos mais que narrativas mornas… queremos experiências e emoções humanas. Queremos criar uma verdadeira conexão com os personagens, queremos a originalidade e a verdadeira identidade de quem escreve!
Nesse Dia Nacional do Escritor, celebramos todos aqueles que dão vida às palavras e lembramos que a tecnologia venha para somar, e nunca para calar a nossa voz!