Leitora Compulsiva

A Intérprete, de Annette Hess #Resenha

a intérprete annette hess editora arqueiro resenha blog leitora compulsivaTítulo: A Intérprete

Título Original: Deutsches Haus

Autor(a): Annette Hess

Editora: Arqueiro

Ano: 2019

Páginas: 272

Tradução: Ivo Korytowski

Sinopse: AQUI 

Download do 1º Capítulo: AQUI

Onde Comprar o livro: Amazon, Livraria Cultura, Submarino

Onde Comprar o E-Book: Amazon (Kindle), Livraria Cultura (Kobo)

Participação Especial: Pah Xavier, do blog Lendo e Escrevendo

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Lançado em setembro desse ano pela Editora Arqueiro, A Intérprete, o livro de estréia da autora Annette Hess, chamou muito a minha atenção por ter como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial, um assunto que sempre me atrai. Infelizmente não ia ter como incluir mais essa leitura na minha apertadíssima (e já atrasada!) agenda de leitura. Por isso, fiquei mais do que contente quando a minha amiga Pah Xavier, do blog Lendo e Escrevendo e colaboradora querida aqui do Leitora Compulsiva se ofereceu para ler o livro e resenhá-lo para a gente!

Vamos conferir o que a Pah achou do livro?

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Sobre o que é “A Intérprete”?

Alguns anos se passaram após o final da Segunda Guerra Mundial, para alguns a Guerra é algo passado e como tal não deveria ser revivido, mencionado ou revirado, para outros é uma memória dolorosa demais para esquecer, há ainda aqueles cuja a guerra é apenas uma lembrança remota e confusa da infância. Em A Intérprete, temos contato com todos esses pontos de vista e diferentes opiniões sobre o que de fato ocorreu durante a guerra que dizimou milhares de pessoas.

É 1963 e países inteiros ainda se recuperam das consequências da guerra. Na Alemanha, Eva Bruhns trabalha como interprete e tradutora de documentos em uma empresa, sua maior ambição no momento é aguardar pelo pedido de casamento do namora, para ela a Guerra é apenas uma lembrança da infância, uma lembrança confusa e desconexa. Tudo muda quando ela é chamada às presas na empresa em que trabalha para um serviço de ultima hora e acaba servido de interprete sobre o que aconteceu nos campos de concentração durante a guerra.

Pouco experiente com alguns termos ela não parece ser a melhor escolha para o trabalho, mas acaba sendo o único recurso encontrado como interprete para atuar no julgamento dos acusados por crimes de guerra. Contra a opinião pública (muita gente acreditava que os alemães julgados eram pessoas inocentes e que os relatos eram mera fantasia e exagero) e contra a opinião de sua própria família (lendo o livro vocês entenderão o motivo), Eva aceita o trabalho e acredita que pode ajudar a fazer justiça para aqueles que morreram nas mãos dos acusados. Além disso, há uma parte dela que quer saber o que realmente aconteceu naquela época da qual se lembra tão pouco.

O que esperar desse livro?

Esse é o livro de estreia da autora Annette Hess e se trata de uma obra de ficção, mas nem por isso deixa de ser um soco no estomago ao ler os relatos feitos pelos sobreviventes durante o julgamento e nem por isso deixa de ser revoltante a forma como os acusados se comportam durante todas as audiências, isso porque a narrativa e os acontecimentos do livro prendem e envolvem o leitor de tal forma que é impossível não sentir fortemente diversas sensações durante a leitura.

A Intérprete é um livro sobre a Guerra que mostra um outro lado da história, o lado que retrata o que aconteceu com as pessoas depois que ela acabou, que mostra que a vida continua de uma forma ou de outra e que para alguns é apenas uma semi vida, pois as consequências são tão devastadoras que é impossível continuar, mas que se encontra forças de algum modo.

Eva Bruhns é uma personagem que vive um pouco alheia ao que aconteceu durante a Guerra e muitas vezes retratada como inocente por causa disso, há certo medo, por parte da família e do namorado, que ela perca essa inocência se aceitar o trabalho e se ela descobrir o que realmente era feito naquele período, de certa forma acho que isso reflete a realidade de muitas pessoas que viveram naquela época onde se você não souber detalhes do que aconteceu é como se não tivesse acontecido, como se fosse distante da sua realidade, e se você souber irá, assim como a personagem, perder a inocência.

Como vocês podem imaginar, Eva aceita o trabalho e passa atuar como interprete no julgamento, com isso, leitor e personagem, vão descobrindo pouco a pouco, relato a relato os horrores da Guerra e as cicatrizes quem muitos deles carregam na mente e no corpo. Além disso, podemos acompanhar o crescimento da personagem à medida que o tempo passa e o julgamento avança, ao mesmo tempo, acompanhamos as consequências para Eva e sua família o que é ao mesmo tempo perturbador e de partir o coração.

Eu não sei vocês, mas ao mesmo tempo em que tenho curiosidade em ler livros sobre o assunto, eu sempre acabo me sentindo mal com os relatos, mesmo assim, é uma leitura extremamente valida e levanta muitas reflexões sobre o assunto, mesmo que seja um livro de ficção (ah! Se vocês não tem costume de ler os agradecimentos, leiam o desse livro, a autora fala sobre as pesquisas que fez para o livro e mais umas coisinhas que acrescentam bastante a leitura, especialmente sobre os relatos nos julgamentos).

Sobre a autora e seus trabalhos…

ANNETTE HESS nasceu em Hanover e inicialmente estudou pintura e design de interiores, especializando-se mais tarde em dramaturgia. Atuou como jornalista e assistente e, desde 1998, trabalha exclusivamente como roteirista, tornando-se famosa por suas séries de televisão. Recebeu inúmeras premiações, incluindo o Prêmio Grimme, o Prêmio de Autores de Frankfurt e o Prêmio da Televisão Alemã. A intérprete é seu primeiro romance, que já foi vendido para 21 países.

 

16 comentários sobre “A Intérprete, de Annette Hess #Resenha

  1. RUDYNALVA CORREIA SOARES

    Pah!
    O que acontece em nosso Brasil hoje, é um absurdo tão improvável que faz até medo pensar no que poderá vir ainda. E o pior é que a criatura ainda tem tantas pessoas retrógradas que pensam do mesmo jeito que dá até nojo.
    Dito isso, vou falar sobre o livro. Gosto de livros que retratam o Nazismo e fico estarrecida a cada nova leitura, aqui parece que ainda tem toda uma tragédia familiar por trás que nos deixa curiosos para fazer a leitura.
    cheirinhos
    Rudy

  2. kênia Cândido

    Oi Pah.

    Eu também fico bastante curiosa com os livros que abordam este tema, mas acho muito importante ter livros com relatos para trazer reflexões para os leitores. A sua resenha é a primeira que leio sobre a Intérprete e senti em sua palavras que é um livro forte. Tenho certeza que vou sensibilizar com a leitura. Obrigada pela dica e parabéns pela resenha.

    Bjos
    https://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com/

  3. KARLA SAMIRA

    Olá! Creio que vou amar esse livro, pois adoro ler relatos da época de guerra. Confesso que ainda não li nada nesse viés (de, mesmo ficcional, ter relatos dos sobreviventes). Curto muito essas reflexões estilo “soco na boca do estômago”, livros que me deixam perturbada, introspectiva durante um tempo… Já vai direto para a lista de leitura. Beijos! Karla Samira

  4. Evandro Atraentemente

    Livros sobre essa época geralmente mexem muito com a gente, mas é importante conhecer até onde pode ir a maldade humana, para que a gente não cometa os mesmos erros. Achei muito interessante o enredo, até porque a personagem também vai mergulhando aos poucos nesse universo obscuro ao ser interprete nesses julgamentos, já que muitos não tinham noção das verdades. Eu sempre leio os agradecimentos hehe

  5. Antonia Isadora de Araújo Rodrigues

    Olá Pah!!!
    Eu tenho um probleminha, pois livros do gênero não acabam me interessando. Eu vejo inúmeras pessoas falando acerca de livros desse gênero e eu fico na mesma. Não sei se isso se dar pelo fato que assistia muita coisa do gênero e passava tempos de ressaca,e agora com livros evito.
    Mas acho interessante os enredos e como os mesmo foram construídos de fato para mexer tanto com a gente ao ponto de ficarmos tão reflexivos acerca desse período.
    Parabéns pela resenha!!!

    lereliterario.blogspot.com

  6. Thayza Fonseca

    Olá!

    Eu sinto um misto de curiosidade e pavor com esses livros, não sei a forma como vou encarar os acontecimentos, pois mesmo sendo ficção existe um fundo verdadeiro em cada coisa, para o bem e para o mal o que torna esse tipo de leitura muito agridoce para mim. Gostei bastante da sua opinião e da premissa, vou colocar na lista de leitura e ano que vem com calma pretendo ler. Obrigada pela dica.

    Beijos

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